domingo, 31 de agosto de 2014

O Racismo de Ontem e o de Hoje no futebol brasileiro.


1º tempo – A burguesia do futebol.

Diversos foram os sociólogos que costumavam lembrar que “futebol é jogo de pobre” e que, no fim do séc. XIX, algum esporte deveria substituir a capoeira que a polícia proibia... Um certo psicólogo escreveu “o futebol é a desforra do povo contra os donos da vida”. Como quer que seja, tudo começou em outubro de 1894, quando um jovem paulista, filho de ingleses ricos, desembarcou na Estação da Luz com duas bolas de couro Shoot na bagagem:  Charles William Miller, o introdutor do futebol no país.
Torcedora do Grêmio grita "Macaco"  para o goleiro Aranha do Santos F.C.,
mais um caso de injúria racial no Brasil (08/2014)
Na verdade ele não queria fundar nada, nem sonhava o que aconteceria depois. Apenas gostava de futebol, assim como muitos jovens hoje gostam de rapel, surf, stand up paddle – simplesmente porque está na moda e confere status a quem o pratica. Assim, Miller nos trouxe um esporte universitário e burguês. Um esporte de gentlemen. Elegante e obediente a um código.
Pelos dez anos seguintes, continuou como jogo inglês elitizado: seus praticantes eram, na sua grande maioria, técnicos industriais e engenheiros ingleses. Palavras costumeiras: fiel, full-back, inside-right, referee, linesman dentre outras. Até 1930, o ofensor que machucasse um outro jogador deveria fazer um pedido sincero de desculpas: I’m sorry.
Paralelamente o cricket inglês e o squash, dominavam o espaço esportivo para brancos burgueses em diversas cidades brasileiras. Mas, Miller que não gostava tomou a iniciativa de fundar o primeiro team de foot-ball do Brasil, o São Paulo Athletic Club. Em 1902 surgiu, no Rio, o Fluminense; em 1903, o Fuss-Ball-Club de Porto Alegre e o Grêmio Foot-Ball, no Rio Grande do Sul e outros clubes foram surgindo.
Moças loiras e perfumadas na assistência. Jogadores impecáveis nos seus calções e meias importados.  No final, o vencedor cantando, com hálito de whisky, o tradicional “when more we drink together, more friends we be”.
Os pobres, aqueles sem dinheiro para o ingresso e uniformes, espiavam por cima dos muros. E aqueles que conseguiam pagar se sentiam intrusos, pois os craques, ao saldarem a torcida, nunca se dirigiam a eles e, sim a seleta massa na arquibancada. Moças e rapazes de boa família. Era o tempo em que os intelectuais ainda gostavam de futebol e comparavam, em artigos derramados e versos eloquentes, os jogadores a deuses gregos, os estádios ao Olimpo.

Estamos no intervalo histórico do futebol brasileiro...
Continuarei o segundo tempo:
Brasileiros, pobres e pretos vão entrar em campo. Sorry.


segunda-feira, 25 de agosto de 2014

"Rolar Bola" para quem? Uma prática poluente ultrapassada nas escolas

Dos anos 80 para os dias atuais muita coisa mudou. Os avanços tecnológicos nos trouxeram benefícios inigualáveis; diversas áreas de conhecimentos aprofundaram suas pesquisas técnicas-cientificas. Momentaneamente, gostaria de convidar o leitor a analisar as práticas escolares de ontem e as de hoje nas escolas, especialmente nas escolas públicas, não que seja muito diferente do quadro atual de diversas escolas particulares espalhadas pelo país. 
Brincadeiras de Roda 
Especificamente, as poucas quadras existentes ou pequenos pátios são "as salas de aulas", cabe o professor sistematizar o tempo pedagógico onde haverá aplicabilidade de sua metodologia de ensino como mecanismo facilitador do ensino-aprendizagem.
Paremos por um instante e observamos o que realmente acontece nas diversas escolas de nosso país. Indagamos: É essa a educação física escolar que promove a melhoria da qualidade de vida do ser humano? O que mudou da década de 80 para a atualidade? 
As novas/velhas ordens são:  "peguem a bola, escolham seus times, e joguem"; "não me perturbem"; "se brigarem estão fora" dentre tantas outras frases que já são costumes nesse momento escolar.
Em um  comparativo, é fundamental analisar que historicamente a Educação Física da década de 80 trazia consigo todo aparato da formação do ser voltado para servir à Pátria. Ainda havia uma ideologia como pano de fundo para legitimar o sobrepujar do mais forte sobre o fraco. A questão do gênero era outro ponto a se considerar. Afinal, meninos jogam com meninos e as meninas se tiverem oportunidade jogam entre elas, pode ser voleibol ou queimada, mas de preferência queimada, pois dá menos trabalho. E hoje, qual o pano de fundo?
Os fatos marcantes deixam seus resquícios na atualidade, se faz necessário refletir sobre o simples ato "didático" de "rolar a bola". 
A quem agrada?
O que se espera construir com essa prática?
Até quando a escola pública ou particular vai permanecer infestada desses professores descompromissados?
São indivíduos estagnados no tempo; apoiados no método do apito; silenciadores de anseios e vontades; colaboradores de perpetuarem paradigmas que não deveriam existir.   Se torna uma necessidade despoluir o sistema e as pessoas que deveriam ser responsáveis em realmente formar cidadãos para a vida. O ato de "rolar bola" é dissociado de qualquer pensamento construtivo, pois "correr por correr" atrás da bola é um modo simplista de conceber a educação física escolar, dispenso comentários sobre a sociabilidade ponto crucial para a preparação para a vida.