O Racismo de Ontem e o de Hoje no futebol brasileiro.
1º tempo – A burguesia do futebol.
Diversos foram os sociólogos que costumavam lembrar que “futebol é
jogo de pobre” e que, no fim do
séc. XIX, algum esporte deveria substituir a capoeira que a polícia proibia...
Um certo psicólogo escreveu “o futebol é a desforra do povo contra os donos da
vida”. Como quer que seja, tudo começou em outubro de 1894, quando um jovem
paulista, filho de ingleses ricos, desembarcou na Estação da Luz com duas bolas
de couro Shoot na bagagem: Charles
William Miller, o introdutor do futebol no
país.
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| Torcedora do Grêmio grita "Macaco" para o goleiro Aranha do Santos F.C., mais um caso de injúria racial no Brasil (08/2014) |
Pelos dez anos seguintes, continuou como jogo inglês elitizado:
seus praticantes eram, na sua grande maioria, técnicos industriais e
engenheiros ingleses. Palavras costumeiras: fiel,
full-back, inside-right, referee, linesman dentre outras. Até 1930, o
ofensor que machucasse um outro jogador deveria fazer um pedido sincero de
desculpas: I’m sorry.
Paralelamente o cricket
inglês e o squash, dominavam o espaço
esportivo para brancos burgueses em diversas cidades brasileiras. Mas, Miller
que não gostava tomou a iniciativa de fundar o primeiro team de foot-ball do
Brasil, o São Paulo Athletic Club. Em 1902 surgiu, no Rio, o Fluminense; em
1903, o Fuss-Ball-Club de Porto Alegre e o Grêmio Foot-Ball, no Rio Grande
do Sul e outros clubes foram surgindo.
Moças loiras e perfumadas na assistência. Jogadores
impecáveis nos seus calções e meias importados.
No final, o vencedor cantando, com hálito de whisky, o tradicional “when
more we drink together, more friends we be”.
Os pobres, aqueles sem dinheiro para o ingresso e uniformes,
espiavam por cima dos muros. E aqueles que conseguiam pagar se sentiam intrusos,
pois os craques, ao saldarem a torcida, nunca se dirigiam a eles e, sim a
seleta massa na arquibancada. Moças e rapazes de boa família. Era o tempo em
que os intelectuais ainda gostavam de futebol e comparavam, em artigos
derramados e versos eloquentes, os jogadores a deuses gregos, os estádios ao
Olimpo.
Estamos no intervalo histórico do futebol brasileiro...
Continuarei o segundo tempo:
Brasileiros, pobres e pretos vão entrar em campo. Sorry.

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